Entrevista a Letra

Teve o seu primeiro contacto com o grafitti em 2003, fascinado pelos graffs do POST2, que via numa fábrica velha em Rio Tinto. Curioso, interessou-se em descobrir a arte que hoje preenche os seus dias se cores a spary. O entrevistado desta semana da HipHopWeb é Letra, uma das mais recentes aquisições da legendária crew MTS.

 

 

Porquê a escolha da tag Letra?
Não existe uma razão concreta para qual me levou a escolher esta identidade simplesmente foi a junção de letras que compuseram esta tag, ficou-me no ouvido e na mente e decidi adopta-la.

Como foi o teu 1º contacto com o grafitti e o que te motivou a tornar writer?
Desde que me conheço sempre tive o hábito de desenhar, principalmente tive o fascínio de desenhar letrings, mesmo não sabendo o que era o graffiti. Por volta de 2003/04 tive o meu primeiro contacto com latas mesmo sem saber o que, e porque estava a fazê-lo no meio de umas brincadeiras fiz a minha primeira "peça" com amigos. Depois de a ter acabado, fiquei destroçado e muito desiludido com o que fiz e naquela altura pensei nunca mais pegar numa lata. Mas o bicho ficou dentro de mim e tentei pesquisar sobre o graffiti que na altura se baseou num livro rasgado e pintado que tinha na biblioteca da escola e estar sempre de olhos abertos para qualquer lado que fosse. Cresci em Rio Tinto numa altura que não havia nada naquela zona, não havia internets nem nada do género e o que motivou e alimentou e deu forças ao bicho dentro de mim foi sem dúvida aquelas horas de almoço prolongadas que eu saía da escola e ia a pé ate Ermesinde a uma fábrica abandonada que hoje infelizmente já não esta de pé e ficar lá admirar os murais e havia um writer que entre aqueles todos se destacava para mim e tenho de destacar aqui POST2 ,foram as suas peças aquele que me deu influências e motivações para nunca deixar de pintar e sem dúvida este grande nome é uma das principais razões por estar onde estou agora e nunca ter largado o grafiti.

Desde que começaste a pintar o que mudou no grafitti?
O que mudou? O grafitti simplesmente já não é a mesma coisa que pode ser uma coisa boa como uma coisa má. Principalmente falta HUMILDADE no grafitti português mas hoje em dia existe muita mais divulgação, muitas mais pessoas a intressarem-se pelo o grafiti hoje não é o skill que é relevante não é relevante a essência do graffiti perdeu-se muito porque nas gerações novas do grafiti as pessoas fazem-no sem saber o que é realmente o grafitti fazem apenas porque é "fixe" por isso é que são muitos a pintar mas muito poucos que ao fim de um ou dois anos continuam a pintar. O rei na barriga nunca fez bem a ninguém.

Optas pelo bomb ou pelo fame? Porquê?
Graffiti nasceu com ruas preenchidas de tags e bombs espalhados seja ruas ou nos comboios tudo o resto é street art que é uma evolução lógica do grafitTi. Posso dizer que neste momento prefiro bomb mas tudo são fases porque há dias que acordo sem a mentalidade destrutiva e me sento penso faço projectos e vou para uma parede calma seja sozinho ou acompanhado por isso uma escolha lógica entre os dois para mim é difícil.

Como vês a situação do grafitti neste momento em Portugal e o que esperas para o futuro?
Degradante e intristecedora. É uma coisa que penso todos os dias e que me deixa realmente triste ainda estamos muito atrasados em relação ao que se passa lá fora e como a maior parte dos writeres portugueses são mente fechada e fazem uma coisa bonita já se acham os reis não vejo que a situação do graffiti português se altere.

Na tua opinião, qual melhor lugar no mundo para pintar?
Não posso responder a essa pergunta sou demasiado novo e ainda tenho muitos países para visitar e pintar. A questão não é o lugar em si para pintar, porque eu gosto de pintar seja na rua atras de minha casa ou em Berlim , sao experiências que fazem o melhor lugar do mundo tenho tido propostas para viajar pela Europa e pintar mas sem a minha crew, os meus amigos não é a mesma coisa por isso o melhor lugar do mundo é onde esta quem eu importo onde quer que isso seja.

Como foi o teu processo de evolução para o teu estilo?
De dois ou três anos para o dia de hoje sinto que cresci muito como pessoa como writer e isso deriva-se a experiências que vivi com pessoas que pintei, com as pessoas que falei, umas mais importantes que as outras mas a minha evolução a essas pessoas que passaram na minha vida. E agradeço desde já a minha crew MTS e todas a essas pessoas que me apoiaram sempre nomes como walk, digo mustache, h1n1 entres muitos outros um obrigado porque eu sou um bocado de todos vós.

Em que te inspiras para realizar os teus trabalhos?
Letra: Tenho muitas influências de vários ilustradores designers e writers mas tudo ao meu redor serve de inspiração. Tudo que vejo, ouço e experiência são inspirações para mim, de vários ilustradores designers e writers.

 

HHW: O que achas que mais poderia ser feito para o desenvolvimento do grafitti?
Letra: Mais eventos promocionais, parar com esta guerra estúpida que a Câmara do Porto lançou contra o graffiti apenas para ganhar mais uns votos das velhinhas do conselho o que não é nada inteligente apostar nos artistas portugueses porque portugal tem qualidade.

Qual foi o trabalho que te deu mais gozo realizar até hoje?
Recentemente deram-me um quarto para pintar onde mesmo achei que o trabalho pedido seria demais para as minhas capacidades e superei-me a mim mesmo passei 2 semanas fechado num quarto mas quando acabei senti-me mesmo realizado e feliz comigo mesmo porque depois daquilo sei que ainda tenho muito para andar, muita sopa para comer mas que posso ser realmente bom e ganhar reconhecimento naquilo que mais gosto de fazer na vida que é pintar.

Qual o  DVD e revista de grafitti que eleges?
Tantos bons DVD´s de grafiti que existem não posso deixar de eleger o "Sobre Carris" onde fynd mostra que há portugueses que não andam a dormir a todo o mundo, depois existe tantos como Fatcap Express, Dirty Handz, Tsunami Royals, tantos que fazia aqui uma lista de DVD´s que nunca mais acabava a nível de revista tenho que atirar o meu chapéu aos ratossuspeitos pela iniciativa que tem com a revista que estão neste momento porque iniciativas destas é o que faz falta cá neste pais.

Para concluir, qual a mensagem que deixas a todos os visitantes do HipHopWeb?
Ouçam quem esta ao vosso lado com ouvidos de ouvir, sejam humildes e verdadeiros com os vossos que so traz coisas boas e tudo e todos que não interessa nem vale a pena dar importância…

 

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