Entrevista MrDheo

Desta vez entrevistamos MrDheo um dos mais activos e criativos dos writers portugueses, quisemos saber sobre seus projectos e sobre sua internacionalidade.

 

 

 

Queres comentar a situação da ANH? 
Sinceramente acho que já foi tudo explicado, inclusive da minha parte. Embora triste é normal que surjam muitos parasitas à medida que a cultura cresce, mas acredito que façam igual ao valor que tem: zero.

HHW - Tens andado muito por fora de Portugal, por onde tens andado?
MrDheo - Ultimamente até tenho estado mais por cá, porque tenho tido trabalho e é difícil conseguir sair. As últimas duas viagens foram à Turquia e ao Brasil.

Como lá fora e visto o graffiti português?
Sinceramente acho que é pouco conhecido. Quase todos os writers internacionais com que me cruzei conhecem um ou dois nomes, não mais do que isso. Apesar de achar que o pouco que passa lá para fora é positivo, deveríamos tentar divulgar mais a cena tuga como fazem os writers lá fora. Há muitas revistas e livros internacionais à espera de trabalhos bons para publicar e isso parte dos próprios writers em enviar. É apenas um exemplo.

Achas que há um estilo que possa chamar de “Tuga” no graffiti?
Na minha opinião não há, mas acho que isso não tem de ser algo negativo. Há países onde 80% dos letterings são todos iguais...por muito que vejas um na rua e saibas de imediato de onde é o writer, torna-se cansativo e não traz nada de novo. Nós somos um país com um graff versátil. Não é vergonha nenhuma assumirmos que não temos a qualidade que se vê em Espanha, na Alemanha, na França ou nos EUA, mas devemos orgulhar-nos daquilo que temos e para mim há writers em Portugal com capacidade para estar ao nível dos melhores. Somos um país pequeno, é preciso não esquecer. É normal que em países com mais 10, 20 ou 30 milhões de habitantes que o nosso surjam muito mais writers e mais evoluídos.

Como achas que esta o estado do graffiti em Portugal?
Creio que o facto de existir uma grande quantidade de writers constantemente no activo é o mais importante de tudo. Com o passar dos anos há writers que aparecem e outros que deixam o graffiti para trás, mas os que se vão mantendo no jogo fazem com que se mantenha um bom nível e vão fazendo com que a cena cá evolua. Em termos sociais acho que se nota uma diferença considerável. O maior exemplo talvez seja o que se tem passado em Lisboa, com o excelente trabalho que a GAU e a Câmara tem feito. Há writers que merecem todas as oportunidades que lhes estão a ser dadas, pelo percurso que fizeram e pelas qualidades que tem. Apesar de estar à distância procuro estar a par e sinto orgulho no grupo de artistas que tem feito intervenções porque dão uma imagem muito positiva do graffiti português. Felicito-os a eles, á GAU e à Câmara e espero que estas colaborações se mantenham por muitos anos.

E o Hip Hop português em geral como esta na tua opinião?
Não acompanho o breakdance, apesar de ser uma vertente que admiro e respeito muito. Em relação à música consumo mas sou por natureza muito exigente porque tenho de gostar do instrumental, da letra, da voz, do flow, do scratch, de tudo. Há muitos grupos e rappers que, por muita qualidade que possam ter, a mim não me dizem muito. Pegando num exemplo oposto posso dizer que Dealema (aos meus ouvidos), é magia, e se fosse possível editarem 10 álbuns por ano sei que iria consumi-los diariamente. Actualmente tenho ouvido o álbum do Rato54 que gosto e recomendo. E acho importante também felicitar o Rey pela Poesia Violenta que para mim foi das melhores coisas que surgiram nos últimos anos.

Olhando uns 10 anos atrás achas que se evoluiu positivamente no graffiti em Portugal?
Comparativamente há uns anos - e aqui só devo mesmo falar de há uma década para cá - o graffiti é hoje um movimento mais sólido e estável, na minha opinião. No geral acho que estamos num bom plano, mas como em tudo há coisas positivas e outras menos positivas. Admiro muitos writers e o que vão construindo, aliás, dentro do possível vou acompanhando aquilo que posso e tento motivar - pelo menos - os que me são próximos. Mas ao acompanhar também me apercebo que o que muitos fizeram durante anos pelo graff português hoje dá frutos para os mitras. Ou seja, ilustradores e pintores de pincél a aproveitarem-se da onda e a serem catalogados de "artistas de rua" para encherem os bolsos sem perceberem nada de graffiti nem terem vivido 1% das experiências que quase todos aqueles que fazem o verdadeiro graffiti viveram. Para mim nunca serão nem de perto "writers" simplesmente porque não sabem o que isso é nem o que representa.

Quais são os teus trabalhos que mais te orgulhas?
Se pensar na estética é difícil olhar para o meu trabalho nessa perspectiva, porque muito sinceramente não tenho grande orgulho no que faço. Sou muito exigente e crítico comigo próprio. Acho que consigo responder a isso se pensar nos momentos em si, nas pessoas que estavam comigo, nas experiências que vivi à volta desses trabalhos. E vendo por esse lado talvez tenha de realçar as viagens que fiz porque são sempre memoráveis e enriquecedoras.

Quais os outros artistas que mais admiras em Portugal e lá fora?
Muita coisa, do street art ao puro graffiti. Mas prefiro não dizer nomes.

Quais teus projectos para futuro?
Tenho uns projectos ainda em estudo que espero por em prática a partir de Setembro. De resto, viajar e pintar o mais que puder.

Queres deixar uma mensagem para os seguidores do HipHopWeb?
É bom ver o HipHopWeb de volta! Obrigado e um abraço.

 

Para mais informacao sobre MrDheo podem consultar www.mrdheo.com

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