Rapper Kanye West lança o disco "Yeezus"

Kanye West

Esqueçam o discurso moralista, aquela velha arma engatilhada pela inveja: o ego de Kanye West é uma obra de arte colossal, provocante e contundente como poucos artefatos culturais na mesma esfera de popularidade. O sexto disco lançado pelo rapper chega às lojas nesta terça-feira (18) e chama-se Yeezus, título de autoproclamada divindade que combina o apelido Yeezy com o nome do Cristo. Não é o primeiro rapper a se elevar a tais alturas. O mais tranquilo Jay-Z já declarou, há uma década, ser J-Hova, referindo-se a jeová. E ao contrário do que se poderia esperar de um Kanye West, aos 36, em fase madura, com uma mulher grávida (o filho nasceu no fim de semana) e nada a provar, tal narcisismo sacro consegue ser o estopim de faixas agressivas e, em parte, vanguardistas, que enxugam o maximalismo protagonizado pelo rapper em seu último disco, My Beautiful Dark Twisted Fantasy, lançado há três anos.

Mas tanto no disco em questão como agora, a auto imolação é a essência. E em Yeezus, Kanye a emprega com maestria. Quando se espera uma megalomania desenfreada, sua relação com Jesus é até respeitosa, considerando a ousadia. I Am a God, terceira faixa, o rapper tem na letra: "Acabei de falar com Jesus, ele me perguntou 'e aí Yeezus?'/ Eu disse: 'tô de boa, tentando empilhar os meus milhões'". A faixa, embora sombria e agressiva como o resto de Yeezus, é bem-humorada. Seu refrão declama: "Eu sou um deus/ Anda logo com a minha massagem/ Eu sou um deus/ Tira o Porsche da garagem".

Yeezus, no entanto, emprega também outros lados da persona de Kanye. Em New Slaves, há uma visceral manifestação contra o estado atual do negro e, em I'm In It, ele rima sobre taras sexuais. O que se ouve é um nítido cuidado com as rimas, que estão mais cortantes e vituperiosas do que se tem ouvido de Kanye, especialmente na fraca coletânea Cruel Summer, lançada ano passado com algumas faixas inéditas. A preocupação revela uma das qualidades mais interessantes do artista, e a provável razão pela qual continua produzindo discos de impacto: seis álbuns adentro de sua carreira, o rapper parece ainda ter algo a provar. Não é a toa que Yeezus, que tem participação de Bon Iver, Daft Punk, Skrillex, e produção de Rick Rubin, foi retocado pelo perfeccionista West até uma semana antes do lançamento. A qualidade das rimas também reflete as críticas a Cruel Summer.

in Paraná Online

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