Rapper Emicida fala sobre primeiro disco físico e polêmicas

Emicida, 28 anos, é um dos artistas mais comentados na imprensa nacional há três anos, mas só agora o rapper paulista lança um disco físico, o ótimo "O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui".
O trabalho conta com participações variadas (Tulipa Ruiz, Wilson das Neves, Fabiana Cozza e outros) e dialoga com diferentes sonoridades, como black music e samba. Confira trechos da entrevista sobre música, empreendedorismo e polêmicas.
O que há de diferente entre "O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui" e as mixtapes que lançou anteriormente?
Artisticamente falando, quis muito colocar em um único disco minha vivência entre vários gêneros, meus passeios musicais. Quis fazer rap próximo da forma tradicional, porém visivelmente é uma amálgama que faz justiça à música brasileira atual. Todas as texturas e as emoções flertam com nossa riqueza poética, de "Crisântemo" a "Trepadeira", cada um tem uma pesquisa totalmente diferente que visa mostrar todos os campos que me enviam inspiração de alguma forma.

 

"O Glorioso Retorno" não está disponível para download em seu site. Você acredita que o brasileiro está aprendendo a pagar pelos discos? Para você, que já vendeu disco de mão em mão a preço baixíssimo, qual é a melhor forma de divulgar a música?
O fato de não estar disponível para download gratuito foi proposital. Tudo que faço em meus lançamentos tem caráter experimental, sempre, em todos os casos estou estudando plataformas e estratégias. Nesta em especial quis transformar o YouTube em plataforma principal do trabalho, depois o iTunes. Links piratas apareceriam tendo ou não um download oficial gratuito disponibilizado por mim, então meu foco foi estudar outras maneiras de distribuir músi-ca aliando digital e analógico, off line e on line. Até então tem dado bons frutos, melhor até do que esperávamos. Acho que uma quantidade maior de pessoas tem aceitado pagar pelos discos. É um processo de re-educação. Acho que estudamos pouco esse campo no Brasil, aguardamos diretrizes americanas e europeias e tentamos adaptá-las à nossa realidade. Meu sonho é um centro de estudos que consiga fazer uma análise complexa e profunda da realidade brasileira e da América Latina para a difusão do entretenimento conhecendo as bases dos mercados internacionais, mas respeitando as culturas locais, sintetizando ambas para obter o melhor resultado.

in rondoniadinamica.com

Partilhar
Google+