Capicua: 'Sinto um pouco a frustração de que me apresentem como uma exceção'

Uma das convidadas da edição especial da BLITZ fala sobre a presença do hip-hop nos festivais de música.
Capicua, uma das entrevistadas da BLITZ especial 30 Anos, já nas bancas, foi presença assídua nos festivais do passado verão, atuando no Super Bock Super Rock, Vodafone Paredes de Coura, Sol da Caparica e Bons Sons, entre outros. 
À BLITZ, a rapper mostra-se satisfeita com a reação do público aos seus espetáculos, lamentando porém que não haja mais artistas de hip-hop no cartaz dos festivais. 
"Foi um verão muito bom, de muito trabalho. Foi muito positivo porque senti que estava a chegar a sítios onde nunca tinha ido, e isso é sempre uma vitória. Ir a cidades pela primeira vez é sempre uma questão de conquista, mais uma bandeirola no alargamento do mapa imaginário da minha música", ilustra. 

"E também foi  bom porque toquei em muitos festivais, naquela que foi a primeira experiência de fazer esse tourzinho pelos festivais portugueses - é uma conquista tão individual como tribal porque, apesar de ser cada vez mais comum, ainda é raro ver rappers nos cartazes dos festivais mais mainstream ou até de música portuguesa", observa Capicua.

"Penso que ainda estamos muito longe do ponto em que a nossa representação nos gostos do público tenha representação na representação que temos coletivamente nos festivais", acredita a autora de "Vayorken. 

"O facto de eu, tal como outros MCs, ter conseguido dar alguns concertos em festivais, ainda não faz com que a nossa vitória esteja completa. Primeiro, porque é uma micro-representação, depois porque parece-me uma lógica de exceção. Sinto um pouco a frustração de que me apresentem como uma exceção. Tenho muito orgulho em fazer parte do hip-hop português, dessa comunidade de rappers, produtores, DJs, writers e b-boys que fazem o hip-hop crescer todos os anos, sobretudo nas camadas mais jovens. E temos feito muito trabalho, sobretudo na música cantada em português - durante muito tempo não era cool cantar em português como é agora, e os MCs já estavam lá". 

"Custa-me perceber que às vezes me apresentam a mim ou a outros rappers que têm mais presença nos festivais ou mais representação mediática como uma exceção. 'Este aqui é bom, mas é diferente'. Isso é um bocadinho injusto para mim. Não gosto de sentir que não está tudo conquistado, que é só uma exceção e se calhar no próximo verão volta tudo ao mesmo", remata Capicua. 

Capicua é uma das convidadas da BLITZ especial 30 Anos, já nas bancas.

 in Blitz

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