Um dia com o rapper Snoop Dogg

Snoop Dogg

A noite da véspera do lançamento do último álbum de Snoop Dogg — Bush, um disco com balanço e uma pegada funk — acabou tarde. Graças à festa de arromba discotecada pelo rapper de 43 anos numa casa noturna em West Hollywood, Snoop e a trupe mal pregaram o olho. No dia seguinte — quando teve de se apresentar no reality The Voice com Pharrell Williams antes de pegar um voo para Nova York, onde seguiria promovendo o disco —, Snoop estava calado e impenetrável detrás dos óculos escuros. Já nos estúdios da Universal City, onde o The Voice é gravado, o rapper cumpriu só por cima a agenda. Volta e meia escapava dos assessores, que tinham de sair em seu encalço em carrinhos de golfe. Somente duas coisas pareciam capazes de espantar o mal-estar provocado pelo cansaço: os gritos da plateia quando Snoop pisou no palco do The Voice e um baseado do tamanho de uma cenoura.

O lançamento do álbum, seu 13º de estúdio, coroa uma carreira incrivelmente longa e mutante. Na encarnação atual, Snoop é o tio festeiro do mundo do rap, o mestre de cerimônias sibarita que só quer ver o mundo curtindo a vida. Antes disso, teve a fase rastafári e mais espiritual do “Snoop Lion”, a do astro de reality-show, a do treinador de futebol americano juvenil e, segundo ele próprio, a do cafetão. O mesmo homem que foi preso inúmeras vezes e já foi proibido de pisar na Noruega e no Reino Unido é o mesmo que apertou a mão de Barack Obama na Casa Branca em 2013. Mas, seja fazendo um gangsta rap enfezado dos anos 90 ou aparecendo num clipe de Katy Perry, a música de Snoop seguiu consistente (e, no geral, elogiada pela crítica). Ele tirou proveito de sua popularidade numa série de empreitadas comerciais — incluindo ser a voz de um sistema de GPS e garoto-propaganda de fast-food — acumulando uma fortuna pessoal calculada em US$ 110 milhões.

Apesar de tudo o que já viu e fez, Snoop parece não ter envelhecido — fisicamente falando, a impressão é que mudou pouco nos últimos 20 anos. E não diminui o ritmo: se aquele dia teve início tarde, o seguinte começaria cedo. O avião tocou a pista do aeroporto em Nova York às 5h55 da manhã. Logo, o rapper estaria gravando um programa de TV, o The Today Show, calmo e sorridente diante das câmeras — mas com o olhar ainda oculto por trás dos óculos escuros.

14h30 Ensaio com o parceiro frequente Pharrell Williams para a apresentação no realityThe Voice.

15h17 No camarim, Tasha Hayward, cabeleireira e velha amiga de Snoop, cuida das tranças do rapper.

16h09 Pega uma van para o estúdio de áudio do The Voice. Estampada na jaqueta jeans, a capa de seu último álbum, Bush.

16h31 No palco. O público se entusiasma com uma faixa do novo disco, “California Roll”.

21h02 Chega ao aeroporto em Los Angeles para pegar um voo para Nova York, faltando meia hora para a decolagem.

Snoop Dogg em números

3.781 curtidas em sete minutos recebidas por um vídeo que Snoop postou no Instagram.

20/4. Data do “Wellness Retreat”, um show que Snoop faz todo ano em Denver, Colorado, e que encoraja o público a “Inspirar, Expirar, Recarregar”.

3 filhos com a mulher Shante Taylor, sua namorada de infância: Cordé, 20; Cordell, 18; e Cori, 16.

35 milhões de discos vendidos mundialmente no curso de sua carreira. Seu primeiro álbum, Doggy-style, de 1993, vendeu mais de 800 mil cópias na primeira semana.

1 cachorro, Juelz, um buldogue francês, que está raramente na coleira e tem sua própria conta no Instagram.

19 anos. Tempo em que o primo Poppy vem servindo como um de seus dois guarda-costas.

US$ 1,9 milhão. Preço pedido pela propriedade de Snoop em Clarement, na Califórnia. A casa, com oito quartos e 604 metros quadrados, apareceu no show Cribs, da MTV. (A principal residência dele é em Diamond Bar, na região de Los Angeles.)

41 minutos. Duração de seu último álbum, Bush, que inclui participações de Stevie Wonder, Charlie Wilson, Bootsy Collins e Gwen Stefani.

3 atletas formados pela liga juvenil de futebol americano de Snoop Dogg foram contratados por times da NFL em 2014. Este ano, 20 atletas egressos da liga vão jogar na primeira divisão do futebol universitário.

in The Wall Street Journal 

Partilhar
Google+