Chega a Portugal o filme Pinta a Parede!

O momento é da arte de rua e sua família criativa. O filme “Pinta a Parede!” chega a Portugal no fim do mês, lançam-se livros sobre o fenómeno, as galerias e museus portugueses e mundiais abrem as portas para deixar entrar o que antes morava na rua. De Lisboa a Berlim, passando por São Paulo, três cidades contam a história da sua relação com o graffiti.

Cidade? Espaço urbano? Não. Campo. “Venho do skate, do surf, da serra”, verbaliza de rajada Miguel Caeiro, mais conhecido por Ram, desfazendo logo os chavões. “Não sou dos prédios, do hip-hop, dos bairros complicados. Para mim pintar é uma enorme explosão de energia.”

É de Sintra e a sua grande inspiração é a força da natureza. “Pinto natureza, pinto água, faço letras, tenho uma grande influência da terra.” Desde 1997 que Ram tem vindo a aperfeiçoar uma linguagem própria, explosão de cores e formas psicadélicas, que parecem enunciar mundos paralelos.

Como a maior parte dos activistas urbanos da arte de rua revela, em simultâneo, urgência e sentido pedagógico ao falar com o jornalista. Apesar da expansão dos últimos anos e da canalização de informação sobre o tema, este é ainda um universo de difícil apreensão, atreito a confusões, sempre em mutação.

Autor de livros sobre arte urbana como “Underdogs”, Miguel Moore sabe-o, exemplificando a complexidade do fenómeno com a passagem por Lisboa, em 2010, dos brasileiros Os Gémeos, uma dupla com trajecto internacional consolidado de solicitações de galerias, museus e bienais.

“Eles foram convidados para expor no Museu Berardo do Centro Cultural de Belém, mas na mesma altura pintaram de forma institucional uma fachada em plena cidade [na Avenida Fontes Pereira de Melo] e, em simultâneo, bombardearam a cidade com tags e pintaram comboios.”

Ou seja, mesmo quando são enquadrados institucionalmente e o mundo canónico da arte contemporânea olha para eles com sedução, a maior parte não perde o vínculo com a rua. E Moore recorre a outro exemplo. Há duas semanas, o MOCA (Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles) inaugurou a maior mostra de arte de rua numa instituição americana — a polémica rebentou quando um dos artistas representados no interior resolveu deixar também a sua marca nos muros exteriores do museu.

É nessa tensão ambivalente, e nunca resolvida, entre legalidade e ilegalidade, reivindicação da expressão individual e a gestão ciosa do colectivo, galeria e rua, verdade e artifício, vontade de reconhecimento e anonimato, a sedução do efémero da rua e a intemporalidade do museu, que a maior parte destes agentes se movimenta. É esse também o caso do misterioso inglês Banksy, superestrela da arte urbana e autor de “Exit Through The Gift Shop/Pinta a Parede” (que se estreia em Portugal no dia 26), o documentário nomeado para os Óscares, que fez recair ainda mais as atenções sobre a sua obra e, globalmente, sobre o mundo da arte de rua.

Este é um extracto de uma de três reportagens – de Vítor Belanciano (Lisboa), Joana Amaral Cardoso (São Paulo) e Maria João Guimarães (Berlim) ¬– que podem ser lidas na íntegra na edição de 15 de Maio da revista Pública, vendida ao domingo com o jornal PÚBLICO, e/ou na edição para assinantes “online”.

Outros destaques:

– “Ser sempre contra é fácil. Construir é o mais difícil de tudo. Achávamos que éramos corajosos, heróicos, que íamos lutar pela vida de todos os outros. Eu pensava: ‘Se a ditadura um dia cair, lutamos contra quê?’” Esta era Irene quando Irene era (também) Rita. A historiadora Irene Flunser Pimentel, galardoada com o Prémio Pessoa 2007, contou a Anabela Mota Ribeiro as memórias de uma menina bem comportada durante a ditadura.

– A maior caça ao homem da história terminou, mas os detalhes sobre a operação que liquidou Osama bin Laden no Paquistão não estão fechados. Talvez sejam necessários vários anos para se saber realmente como tudo aconteceu. Francisca Gorjão Henriques traça um dos relatos possíveis da “Operação Geronimo”.

– No tempo em que a tropa era obrigatória, cinco rapazes de Santa Maria da Feira, concelho do país com mais objectores de consciência ao serviço militar, lutaram para que os seus ideais fossem respeitados. Alguns sentaram-se no banco dos réus. Hoje, Dia Internacional do Objector de Consciência, Sara Dias de Oliveira relembra as suas histórias. – Na última década, não só surgiram vários museus dedicados à moda, mas também cada vez mais museus de artes plásticas abriram as suas portas a vestidos, malas e sapatos. Públicos mais jovens, cultura popular, mas sobretudo a perda da vergonha em validar a criação de vestuário como actividade intelectual. Joana Amaral Cardoso explica este fenómeno.

– Crónicas de Rui Cardoso Martins, Zé Diogo Quintela, Daniel Sampaio, Paulo Moura e Ricardo Garci

Texto retirado de publico.pt

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