Chullage: rap com Zeca Afonso e José Mário Branco

O rapper português Chullage demorou oito anos para editar um novo álbum, porque «precisava de tempo para aprender com a música», mas nesta ausência foi reunindo todos os estímulos que recebeu da sociedade, registando-os em «Rapressão», escreve a agência Lusa.
Nuno Santos, de 35 anos e ascendência cabo-verdiana, é conhecido como Chullage, nome artístico de uma voz reivindicativa do rap português e que considera que a música é guerrilha, como disse à Lusa.

O músico editou «Rapresálias (Sangue Lágrimas Suor)» em 2001 e «Rapensar (Passado Presente e Futuro)» em 2004. Depois, remeteu-se ao silêncio discográfico, mantendo o trabalho com a associação Khapaz, no Seixal, e em defesa do diálogo intercultural.
«Todas as coisas precisam de um tempo e eu quis aprender mais nestes anos. Investi em formação sempre ligado à música, porque queria ter mais controlo em estúdio», sublinhou, contrapondo que o rap é uma coisa intuitiva.
Chullage, como grande parte dos artistas da cultura hip hop, está sempre com um ouvido no passado, à procura de música antiga que possa repescar para o presente. Para «Rapressão» recuperou samples de temas, por exemplo, de Zeca Afonso, José Mário Branco, Black Power e The Clash.
Já as rimas interpretadas nos 17 temas de «Rapressão» têm estampada a atualidade económica e social do país, mesmo que algumas tenham sido escritas há cinco e dois anos.
«As coisas não mudaram muito, intensificaram-se», disse.
Muito do que Chullage diz em «Rapressão» é uma interpretação de relatos e histórias que ouve nas viagens diárias de autocarro e de barco, um espécie de microcosmos da sociedade, às quais soma ainda as vivências pessoais.
«Tu ouves as conversas, a dizerem que o governo fez isto, que a polícia invadiu uma escola (escola da Fontinha, no Porto), etc. Tens sempre estímulos. A vida está aqui, não está no Facebook. E depois relacionas isto tudo, o desemprego, a atenção que dás aos filhos, os afetos», defendeu o rapper.
Em «Rapressão», fala-se dos media, da condição de ser negro, dos guetos, do FMI, de política, de manifestações e cidadania.
Chullage, licenciado em Sociologia do Trabalho, está indignado com «a repressão económica, social e até cultural».
«É preciso devolver essa violência com as armas que temos», e que neste caso pode ser responder com a música.
Chullage fará em maio uma série de apresentações ao vivo de «Rapressão» pelo país.

in IOL Musica

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