Marcelo D2 prepara novo CD, filme sobre o Planet Hemp e diz que ainda leva dura

Quando batizou seu primeiro disco solo de ‘Eu Tiro é Onda’, Marcelo D2 provavelmente não imaginava o quão profética seria essa frase. Aos 44 anos, o rapper, que se apresenta sábado na Fundição Progresso, comemora as constantes viagens para apresentações no exterior — numa dessas, foi capa do suplemento cultural do ‘New York Times’ —, prepara um novo CD, com um clipe para cada música, gravados em diversas cidades pelo mundo, e um filme sobre sua ex-banda, Planet Hemp.

Com o nome provisório de ‘A Hora É Agora’, o longa foi idealizado por Johnny Araújo, que dirigiu diversos clipes de D2, entre eles o premiado ‘Qual É’. Tudo surgiu a partir de uma frase dita pelo rapper a Johnny: “Eu vivo um sonho que não é meu”, falou D2, referindo-se a Skunk, que fundou o Planet Hemp com Marcelo e que morreu de Aids em 1994, pouco antes de a banda estourar. Com roteiro de Patrícia Andrade, Nelson Motta e Luiz Bolognesi, o longa vai do encontro dos dois, quando Marcelo era camelô, até pouco antes do lançamento do primeiro CD do Planet, ‘Usuário’. No elenco, João Miguel, Stephan Nercessian (que será o pai de D2), Nanda Costa (que vive Dora, mãe de seu filho mais velho, Stephan) e Seu Jorge. Para o papel de Marcelo, estão sendo feitos testes, pelos quais já passaram seu filho Stephan, o rapper Emicida e o ator Thiago Martins.

NEM TÃO RELAX ASSIM
Os tempos difíceis ficaram para trás, mas Marcelo diz que ainda sofre preconceito. “Levo dura e para mim táxi não para. Ontem mesmo, no Humaitá, chovendo, eu e um camarada que é negro demoramos 20 minutos para pegar um táxi”, conta ele. As duras, no entanto, hoje são bem mais tranquilas que no passado. “Os caras me param e, quando reconhecem, dão aquela sacaneada: ‘Ih, deve estar cheio de bagulho aí’. E me liberam”.

Ele acredita que o preconceito contra os usuários de maconha diminuiu e garante que a droga não é assunto proibido com seus filhos (ele é pai de dois meninos e duas meninas). “Não tem essa de fumar escondido, beber escondido. Não acho demérito nenhum. A atitude é exemplo. Não adianta o cara que se diz crente e mete a porrada na mulher”, defende ele, que jura que não vai ser problema se um de seus filhos vier a fumar. “Lógico que vou achar relax, nunca vi maconheiro batendo nos outros”, exemplifica.

Com produção de Mario Caldato Jr., o novo CD terá 16 faixas e o mesmo número de clipes. Oito já foram gravados: dois em Nova York (um deles no estúdio que era de Jimi Hendrix, que ele traz tatuado no braço), dois no estado da Califórnia, um em Luanda (Angola) e três no Rio. “Tenho feito bastante show no exterior e a ideia veio daí, comecei a filmar as apresentações nas cidades”, conta.

Quando passou um mês em Nova York, em julho, para um show no festival ‘SummerStage’, foi parar no ‘New York Times’. “Foi demais! Meus amigos rappers de lá disseram: ‘Você vem, passa um mês aqui e faz a capa’”, diverte-se. “Engraçado é que, no ano passado, eu fui ao ‘SummerStage’ e saí amarradão querendo tocar lá, no Central Park”, lembra.

Volta do Planet Hemp é uma possibilidade remota

SEM VOLTA Apesar de os fãs falarem muito em uma volta do Planet Hemp (esperança que cresceu com o show do grupo ano passado, na festa dos 25 anos da MTV), a possibilidade é remota. “O que a gente tinha naquela época não existe mais, a rebeldia dos 20 anos, a porradaria que a gente queria tocar. Não tem por que ficar vivendo do passado”, acredita D2. “A gente tentou fazer agora uma turnê, mas só para tentar falar sobre já não deu certo: era ‘ah, não quero’, ‘não posso’, ‘estou em turnê’, ‘tenho coisa para fazer’. Ninguém diz: ‘Porra, vamos voltar?’”, ri.

DOCUMENTÁRIO Um projeto que ele pretende pôr em prática em 2012 é um documentário sobre a história do hip hop no Rio. “Tem essa coisa de que São Paulo é o berço do rap no Brasil. Beleza, mas eu, Gabriel (Pensador), MV Bill somos cariocas. Se for contar a quantidade de rappers bem-sucedidos, no Rio tem mais. Quero lembrar a cena do começo da década de 90, a partir do ‘Tiro Inicial’, primeiro disco de rap carioca. E hoje também tem uma cena legal”, diz.

in O Dia

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