Gavlyn @ Ritz Clube: O hip hop falou alto em Lisboa

Na passada sexta-feira, os concertos espalharam-se um pouco por toda a cidade de Lisboa. Alguns celebravam o dia da mulher, outros nem por isso. Não se pode dizer que o concerto de Gavlyn no Ritz Clube tenha tido como pretexto a celebração feminina associada ao dia 8 de março, mas também não teve totalmente desligado, muito devido ao conteúdo das suas letras e ao elevado número de mulheres que se deslocaram à sala lisboeta.
Cá fora, minutos antes do concerto ter início, alguns queimavam tempo para entrar no espaço e aproveitavam para por a conversa em dia e trocar umas últimas palavras. Lá dentro, a sala já estava bem composta, com alguns a marcarem posição, de forma a não perderem o seu lugar predileto. Adivinhava-se enchente, até porque era a primeira vez que a artista pisava solo nacional, ainda para mais com todo o buzz criado em torno do seu álbum, “From The Art”.

Brain abriu a noite e trouxe com ele “Em 3D”, o álbum com o qual se estreia como MC. Com uma casa já digna de se considerar cheia, o rapper e produtor embarcou numa viagem que o levaria por portos seguros enquanto interpretava temas como “Ossos do Ofício”, “Convencer Real”, “Sempre de Pé” e a “Rotina”. Uma boa prestação com várias menções honrosas à anfitriã da noite, deixando os presentes aquecidos para o concerto que se seguiria.
A troca não tardou. Duplates, o DJ que acompanha Gavlyn nesta sua caminhada, assumiu o controlo dos pratos e, perante uma audiência sedenta de beats e rimas, chamou ao palco a rapper norte-americana, para um espetáculo que se viria a revelar, no mínimo, arrebatador. Aqueles que chegaram atrasados foram suficientes para completar os poucos espaços vazios que ainda sobravam no Ritz Clube – nesta altura, até o primeiro piso se encontrava cheio para assistir ao concerto.
De adrenalina na rima e com a voz de Los Angeles na alma, a rapper mostrou logo cedo que as mulheres não se medem aos palmos, efetivamente – a baixa estatura da artista deixava-a perfeitamente camuflada por detrás dos braços que se erguiam no ar a acompanhar o ritmo. No entanto, a sua voz falou mais alto em esquemas de rimas precisos, fluídos e contagiantes. Dubplates esteve igualmente irrepreensível na execução de scratch e nas vozes de apoio a Gavlyn.
O concerto dividiu-se em duas partes. Para a primeira ficaram temas como “Staring Problem”, “Clarity”, “Soufire” e “Stepoff”, que revelaram uma boa dose de energia e dedicação por parte de Gavlyn – tanta, que a rapper só reparou que o seu nome estava projetado na tela quase a meio do espetáculo. O intervalo ficou entregue a Dubplates sob a epígrafe “respeitem os DJs, porque sem eles não havia batidas”, proferida pela artista. De facto, o DJ em causa merecerá todo o devido respeito no campo produtivo, porém, o espaço de tempo que lhe foi cedido para mostrar o seu talento não lhe evidenciou grandes qualidades enquanto disc jokey, caindo na banalidade.

Para a segunda parte Gavlyn regressou revigorada e, a plenos pulmões, caminhou para a reta final do concerto com as canções “Hour Glass”, “To The Feeling”, “Why Don’t U Do Right” e a poderosíssima “What I Do”, que colocou o Ritz Clube eufórico e a acompanhar o ritmo de braço no ar. O concerto não acabou sem uma a cappella, que, como já seria de esperar, extasiou os presentes que, seduzidos pela prestação da californiana, se derreteram numa ovação primorosa.

Gavlyn segue agora a sua digressão por outras cidades europeias com Portugal no coração e a recordação de um elevado nível de hospitalidade por parte dos portugueses, como não se cansou de referir em palco com as palavras “vocês trataram-me tão bem” e com as constantes menções ao nosso país na sua página de Facebook. Mais uma boa recordação que um artista leva de terras de Camões.

 

in Palco Principal

 

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