5º Aniversário da North Point no Aisca [2013-03-29]

No dia 29 de Março, pela primeira vez na cidade de Viana do Castelo, Chullage subiu ao palco no AISCA, para o 5º aniversário da loja North Point. A abertura da festa começou em grande com o DJ Extreme e de seguida com a atuação dos três Mestres de Cerimónia da terra, Espalha, H2O e Trocadilho. Finalmente, foi a vez do Chullage, onde deu um concerto que mexeu com a casa cheia. Viveu-se um bom vibe do Hip Hop nessa noite. E para acabar bem a festa, contamos com a presença, também da terra, do DJ Fatcap.

No final da noite tivemos à conversa com o Chullage e passamos a conhecê-lo um pouco melhor.


HHW - Fala-nos sobre as tuas influências e inspirações do teu 
álbum “Rapressão”?
ChullageA inspiração foi como nos outros álbuns, tem haver com a situação social e política que o país vai vivendo e com a minha experiência pessoal aqui no país, o que um jovem está a viver aqui, um jovem de origem Africana, um jovem pobre.
As minhas influências no Hip Hop são vários. Das mais antigas, o Raekim, Public Enemy, no Golden age, Nas, Mobb Deep e mais actualmente Joey Badass, Underachievers, entre vários outros. Tenho também influências no Rap Francês e ouço muita música Cabo Verdiana.

HHW -  Qual é a mensagem que queres transmitir com a tua música?
Chullage - 
Uma é a crise que nós vivemos, tamos que encontrar uma nova alternativa para viver, não vale a pena reformar este sistema que está podre. Temos que perceber que este sistema não vai lá. Temos que encontrar uma alternativa. Por outro lado, com experiências Africanas, as descriminações, o racismo, à só um mundo, à só um povo. Não há vários povos, então não pode haver racistas, emigramos para todo o mundo, cada um tem o seu modo de viver e mais do que isso temos que entender que somos animais, não temos que estar a destruir a natureza, como se nós fossemos a espécie superior aqui na terra. Temos que nos encontrar como nós, com a nossa criação.

HHW - Na tua opinião, achas que o Hip Hop nacional tem vindo a crescer?
Chullage -
Sim acho, tanto cresceu em tamanho, como também em qualidade. Há coisas muito boas e há coisas más, como em todo o sítio. O Hip Hop cresceu, ganhou quantidade. Há mais gente a fazer, obviamente Rap bom e Rap mau. Não podemos esquecer que quando falamos em Hip Hop, perceber que há DJ’s, writers, B-boys. Os B-boys são muito esquecidos aqui. Vais a Lisboa, os rapazes estão a dançar na rua. O Hip Hop criolo em Lisboa também está a exploder.

HHW - Quais são os teus futuros projetos que tens em mente?
Chullage - Estou a fazer várias cenas neste momento, um novo álbum e também vou fazer um outro álbum, mas só em criolo.

HHW -  Qual a mensagem que deixas para todos os Rappers que estão a entrar para o mundo da música?
Chullage - A única mensagem que eu dou aos Rappers é conhecer the foundation do Hip Hop. Não é aquilo que dizem que é hoje. O Hip Hop veio da cultura específica, tem fundamentos, tem fundações, tem princípios, independentemente se estás a fazer Rap consciente, gangster Rap consciente, gangster Rap whatever. Se tiveres the foundation, se conheceres os princípios, vais ser sempre um grande Rapper, se não estás sempre a escrever uma cena qualquer e gravar, vais estar lá. Essa é a única mensagem que tenho para a nova geração e também ouço muito a mensagem que a nova geração tem para nós também. A nova geração também tem grandes mensagens.

 

 

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